A maior parte do material sobre chakras te dá uma cor, uma parte do corpo e uma lista de sensações. A tradição oferece bem mais que isso, e é justamente esse excedente que dá liga ao sistema.
A camada que costuma ficar de fora
Abra um texto de fonte e cada centro vem acompanhado de uma pilha de atributos: uma localização, um número de pétalas, as sílabas escritas nessas pétalas, uma forma geométrica, um elemento, um som-semente, um animal, uma divindade regente e, muitas vezes, uma cor.
As versões populares mantêm a cor e as sensações e descartam o resto, o que inverte a ênfase do sistema. O material descartado é justamente a estrutura. A cor, como mostra o artigo sobre a origem do sistema de sete chakras, é a parte com raízes mais rasas.
Tire o simbolismo de um chakra e sobra uma parte do corpo e um humor — o que não é um sistema.
A função da camada simbólica é prática dentro da tradição. Esses elementos são objetos de concentração. O praticante segura na atenção, ao mesmo tempo, a forma, a sílaba e o elemento, e é justamente essa elaboração que torna isso possível. Um humor não é algo em que você consegue se concentrar por uma hora. Uma figura geométrica com uma sílaba no centro, sim.
Os cinco elementos — e aquele que não é um elemento
A parte mais clara e sistemática de todo o esquema.
Cinco centros carregam os cinco elementos do pensamento indiano, dispostos da base para cima em ordem decrescente de densidade.
Terra, no centro da base. Solidez, peso, o chão. Na tradição, a qualidade de estar apoiado e localizado.
Água, no centro sacral. Fluidez, coesão, movimento que toma a forma do recipiente. Associada ao fluxo e aos apetites.
Fogo, no plexo solar. Transformação, calor, a capacidade de converter uma coisa em outra. Associado à vontade e à digestão, no próprio registro metafórico da tradição.
Ar, no coração. Movimento, leveza, contato sem solidez. Associado ao tato e à relação.
Espaço ou éter, na garganta. O mais sutil dos cinco, o meio em que os outros ocorrem. Associado ao som — por isso é aqui que fica o centro da expressão.
Acima desses, os centros da testa e do topo da cabeça ficam fora do esquema elemental. A tradição não atribui a eles um sexto e um sétimo elemento, porque a sequência já terminou ali. Eles pertencem a outra parte da estrutura.
Esse detalhe é um bom teste para avaliar uma fonte. Um livro que apresenta sete elementos, um por centro, arrumou o sistema em vez de relatá-lo fielmente.
Pétalas são letras
É a coisa mais satisfatória de se aprender sobre esse sistema, porque transforma um conjunto aparentemente arbitrário de números em um padrão.
Quatro pétalas na base, seis no sacral, dez no plexo solar, doze no coração, dezesseis na garganta, duas na testa e mil no topo da cabeça.
Os números parecem aleatórios até você saber o que cada pétala carrega. Cada uma delas traz inscrita uma sílaba em sânscrito. As pétalas não são uma imagem floral que por acaso tem uma quantidade — são uma forma de organizar um conjunto de sons num arranjo espacial.
Disso decorrem três coisas.
A irregularidade é o ponto central. Quatro, seis, dez, doze, dezesseis, dois não é uma progressão que alguém desenharia visando elegância. É o que se obtém quando a estrutura é determinada por algo diferente de simetria.
A testa tem duas. O menor número fica justamente no centro mais associado à intuição, o que inverte a suposição de que mais pétalas significam mais importância.
O mil não é uma contagem. No topo da cabeça, ele funciona como uma expressão de incontabilidade, coerente com o fato de esse centro estar fora do esquema, e não completando-o.
Como isso é ensinado dentro da Astra Trainer
Esse material está em Simbolismo Elemental, um dos doze subtemas da direção Chakras e Energia do mundo Espiritual, cujo propósito declarado é decodificar sistemas de elementos, geometria, cor e som.
Ele se combina com Tradições dos Chakras para o histórico e com Anatomia Comparada, que coloca o esquema elemental indiano ao lado de outras tradições sem forçar um encaixe entre elas. As lições duram cerca de cinco minutos, e há um tópico de discussão embaixo de cada uma.
Sons-semente e por que são sílabas únicas
Cada centro carrega um bija, uma sílaba-semente: lam, vam, ram, yam, ham nos cinco centros elementais, e om, comumente, na testa.
Duas características delas valem a pena entender, porque explicam o que a prática está fazendo.
Elas não significam nada. Um bija não é uma palavra sendo traduzida. É um som usado como objeto de atenção, e a ausência de conteúdo semântico é uma característica proposital. Uma palavra convida a mente a pensar sobre aquilo a que ela se refere. Uma sílaba que não se refere a nada, não convida.
Elas estão ligadas aos elementos. A sílaba faz parte do complexo do elemento, e não é um acréscimo a ele — por isso as mesmas cinco sílabas aparecem na mesma ordem em fontes que, fora isso, discordam entre si.
Ao topo da cabeça, em geral, não se atribui nenhuma sílaba-semente, o que é coerente com tudo mais que a tradição diz sobre esse centro.
A geometria
Cada centro elemental carrega uma forma, e as formas seguem a mesma lógica de tudo mais.
Um quadrado, na base, para a terra. Quatro lados, estável, a figura mais fixa que existe.
Um crescente, no centro sacral, para a água.
Um triângulo invertido, no plexo solar, para o fogo.
Um hexagrama, dois triângulos entrelaçados, no coração, para o ar. O encontro entre o que sobe e o que desce, o que combina bem com a posição do coração entre os centros inferiores e superiores.
Um círculo, na garganta, para o espaço.
A progressão do quadrado ao círculo, da figura mais fixa até aquela sem nenhum lado, espelha a progressão da terra ao éter. O esquema é internamente consistente, e perceber essa consistência é, em grande parte, o que significa ler o sistema em vez de apenas decorá-lo.
Lendo um centro por inteiro
A habilidade prática que separa o estudo de fato da simples memorização de listas.
Pegue o centro do coração. Doze pétalas. Ar. Um hexagrama. A sílaba yam. Posicionado entre os três centros inferiores e os três superiores.
Lidos como fatos separados, isso é curiosidade solta. Lidos em conjunto, é um único quadro: um centro associado ao contato, não à solidez, cuja figura é o encontro de duas direções, situado exatamente na junção do esquema. Os atributos concordam entre si, e concordam com a posição do centro.
Agora a garganta. Dezesseis pétalas, a maior contagem entre os centros elementais. Espaço, o elemento mais sutil, cujo sentido associado é a audição. Um círculo. Associado à expressão.
De novo, as partes concordam. O som viaja pelo espaço, a expressão é a produção de som, e o elemento cujo sentido é a audição fica exatamente no centro da fala.
É essa coerência que torna o sistema digno de estudo, e ela fica invisível se você só tiver a cor e a sensação. A pergunta certa a fazer sobre qualquer centro não é o que ele significa, mas como seus atributos se encaixam — porque, numa versão bem transmitida, eles se encaixam.
Simbólico, não médico. Tudo neste artigo descreve um sistema contemplativo e simbólico da forma como os próprios textos da tradição o apresentam. Nada aqui descreve anatomia física, e nenhuma prática mencionada trata, diagnostica, previne ou alivia qualquer condição. Se você tiver uma preocupação de saúde, procure um profissional médico qualificado.
O que levar deste artigo
Os atributos simbólicos são o sistema. O diagrama é apenas um resumo deles, e a cor é a parte que menos sustenta a estrutura.
Cinco elementos percorrem da terra ao espaço ao longo de cinco centros, e a testa e o topo da cabeça ficam fora dessa sequência, em vez de estendê-la.
O número de pétalas é o número de sílabas, por isso os valores são irregulares e por isso a testa tem apenas duas.
As sílabas-semente são objetos de concentração, não palavras, e o fato de não terem significado é proposital.
E um centro lido por inteiro é coerente: elemento, figura, som e posição concordam entre si. Quando param de concordar, geralmente você está diante de uma simplificação moderna.
Por que os chakras têm números diferentes de pétalas?
Porque cada pétala carrega uma sílaba em sânscrito. As quantidades são determinadas pelas sílabas, não por simetria — por isso os números são quatro, seis, dez, doze, dezesseis e dois.
Quais são os elementos dos chakras?
Terra na base, água no centro sacral, fogo no plexo solar, ar no coração e espaço ou éter na garganta. A testa e o topo da cabeça ficam fora do esquema elemental, em vez de carregarem um sexto e um sétimo elemento.
O que é um bija, ou som-semente?
É uma única sílaba usada como objeto de concentração, como lam, vam, ram, yam ou ham. Não é uma palavra com significado, e isso é proposital: um som sem conteúdo semântico não convida a mente a pensar em nenhum referente.
Por que o centro da testa tem apenas duas pétalas?
Porque o número de pétalas segue as sílabas, não a importância. O centro mais associado à intuição carrega a menor contagem entre os elementais, o que contraria a suposição de que mais pétalas significam mais importância.
As figuras geométricas têm algum significado?
Sim: elas correspondem aos elementos e seguem a mesma lógica — um quadrado para a terra, um crescente para a água, um triângulo invertido para o fogo, triângulos entrelaçados para o ar e um círculo para o espaço. A progressão da figura mais fixa até a menos fixa espelha a progressão do denso ao sutil.



