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Indústrias do futuro

Como Definir o Escopo de um Programa de Requalificação que as Pessoas Vão Terminar

Aleksandr Mikhailov
Founder, Astra Trainer
Atualizado em
11 min de leitura

A maioria dos programas de capacitação é definida de trás para frente, mas ao contrário: alguém revisa o que está disponível, escolhe um conjunto de cursos que parece razoável e designa pessoas para fazê-los.

Isso produz um programa moldado por um catálogo, e não pela escassez que deveria resolver. A alternativa é mais lenta para começar e consideravelmente mais rápida para terminar.

Comece pela vaga, não pelo currículo

A pergunta de escopo não é "o que nossa equipe deveria aprender". É "quais vagas não conseguimos preencher, e qual é o caminho mais curto e honesto de alguém que já trabalha conosco até alguém capaz de fazer esse trabalho".

Tudo o mais decorre disso. As vagas determinam o padrão de competência, o padrão determina o conteúdo, e a distância entre o padrão e sua equipe atual determina a sequência e o cronograma.

Um programa definido a partir de um catálogo treina as pessoas no que estava disponível. Um programa definido a partir de uma vaga as treina no que está faltando. Quase nunca são o mesmo conjunto.

Antes de qualquer coisa, confirme que as vagas são, de fato, um problema de capacidade, e não de remuneração, processo ou condições de trabalho. Esse diagnóstico é tratado em um artigo complementar e leva cerca de uma semana. Pulá-lo é o atalho mais caro que existe.

Passo um: nomeie as vagas

Não áreas de habilidade. Vagas, com cargo, número de pessoas e datas.

"Precisamos de mais capacidade em automação" não tem como ter escopo definido. "Precisamos de quatro engenheiros de controle na linha três até o terceiro trimestre do ano que vem, e mais dois quando a segunda linha entrar em operação" tem.

Para cada vaga, registre o que a pessoa faz no dia a dia, o que ela precisa ser capaz de fazer sem supervisão, o que precisa saber reconhecer e escalar, quais sistemas e equipamentos são específicos da sua empresa e se alguma parte do trabalho é regulamentada.

Esse último item não é uma formalidade. Se a vaga exige licença, certificação ou uma competência estabelecida em lei, o programa prepara as pessoas para esse caminho, mas não o substitui, e o plano precisa mostrar explicitamente a rota da credencial.

Passo dois: encontre quem está a um passo de distância

Esse é o passo que a maioria das organizações não consegue dar, porque não sabe o que sua própria equipe é capaz de fazer.

O cadastro geralmente traz cargo e formação formal, o que é uma referência ruim. O técnico de manutenção que aprendeu sozinho a programar CLPs, o auxiliar de laboratório com uma formação em bioinformática pela metade, o operador de processo que há nove anos é o especialista informal de um equipamento: todos invisíveis para um sistema que só guarda cargos.

Três formas de encontrar essas pessoas, em ordem crescente de esforço e valor.

Pergunte aos gestores de linha. Eles geralmente sabem. Basta uma conversa estruturada curta por equipe, e é a coisa mais barata deste artigo.

Abra o programa para autoindicação. As pessoas sabem o que têm estudado por conta própria, e se candidatar a um programa exigente já é, por si só, um sinal que vale a pena captar.

Avalie em relação ao padrão. Uma vez que o padrão de competência existe, um diagnóstico curto mostra onde as pessoas realmente estão, o que com frequência não é o que o organograma sugere.

O resultado é uma lista com uma distância realista para cada pessoa: um passo, dois passos, ou não é candidato. Ser honesto nessa terceira categoria é um gesto de cuidado. Inscrever alguém num programa que ele não vai conseguir concluir desperdiça o tempo dessa pessoa e prejudica a credibilidade do programa diante de todos que estão observando.

Passo três: defina o padrão antes do conteúdo

Escreva o que uma pessoa que concluiu esse programa é capaz de fazer, em termos que alguém possa verificar.

Não "entende sistemas de controle industrial". Algo mais próximo de: consegue configurar e colocar em operação um CLP nessa classe de equipamento, consegue diagnosticar e resolver sozinho os modos de falha mais comuns, consegue ler e alterar a lógica de controle existente, sabe quais situações exigem escalonamento e para quem.

Isso faz várias coisas ao mesmo tempo. Torna o programa avaliável, tema de um artigo complementar sobre mensuração. Torna óbvia a escolha do conteúdo, porque tudo o que não serve ao padrão é opcional. E traz à tona, logo no início, divergências que importam, porque o líder de operações e o líder de T&D com frequência têm ideias diferentes do que significa "treinado" e normalmente só descobrem isso no final.

Passo quatro: decida o que é construído com seus próprios especialistas

De forma aproximada, o conteúdo do programa se divide em três camadas.

Os fundamentos, que são os mesmos em qualquer lugar. Física de semicondutores, teoria de controle, biologia molecular, sistemas de potência. Não há motivo para construir isso por conta própria.

A camada aplicada, específica da área, mas não da empresa. Etapas de processo de fabricação de wafers, prática de automação industrial, operações de bioprocessamento.

A camada específica, que é só sua. Seu equipamento, suas janelas de processo, seu sistema de qualidade, seus modos de falha, seu ambiente regulatório.

É na terceira camada que o treinamento genérico falha, e ela só pode vir da sua própria equipe. Não é um pedido pequeno: significa que seus especialistas mais experientes vão dedicar horas reais ao desenho do programa, e o tempo deles é o insumo mais caro de todo o projeto.

É também o insumo que decide se o programa produz pessoas capazes de fazer o trabalho ou pessoas que apenas concluíram um curso. Orce isso com seriedade, em vez de torcer para que aconteça nas horas vagas.

Como os programas são desenhados com parceiros

A Astra Trainer atua em dez domínios e noventa e uma trilhas, do design de chips e fabricação de semicondutores a bioprocessamento, engenharia de redes elétricas, automação industrial e machine learning aplicado. As trilhas são programas, não listas de cursos: com escopo, sequência e conteúdo produzido com os especialistas do próprio parceiro.

A conversa começa pelas vagas, da forma descrita acima. Nomeie os cargos para os quais você está contratando, e as trilhas são mapeadas a partir deles, com os fundamentos e a camada aplicada já prontos e a camada específica desenvolvida com seus engenheiros. Parceiros costumam começar com um piloto em uma única trilha antes de assumir um pipeline por vários domínios. Você pode ver os dez domínios aqui.

Passo cinco: sequencie e seja realista quanto ao cronograma

Ordene o conteúdo para que cada etapa seja utilizável no trabalho. Isso importa mais para a conclusão do que quase qualquer outra coisa, porque um aluno que aplica algo na segunda semana tem um motivo para continuar até a terceira.

Quanto a prazos, os números honestos são mais longos do que os do business case.

Uma competência adicional para alguém que já está em uma função próxima pode levar semanas. Uma mudança real de função, como de técnico de manutenção para engenheiro de controle, leva meses. Uma transição para uma disciplina técnica totalmente nova leva um ano ou mais, e fingir o contrário produz um programa que fracassa publicamente bem no momento em que a primeira turma deveria estar pronta para atuar.

Defina a data de implantação de trás para frente, a partir de uma curva realista e, quando possível, escalone: as pessoas se tornam úteis em pontos intermediários, não todas de uma vez no final.

Passo seis: garanta o tempo antes de garantir o orçamento

A forma mais comum de um programa bem desenhado morrer é o dinheiro ser aprovado e as horas, não.

O patrocínio da diretoria não cria tempo. O supervisor de turno responsável pela produção vai proteger a produção, de forma inteiramente racional, a menos que as horas de treinamento apareçam no indicador pelo qual ele é avaliado.

Então, antes do contrato: combine quantos minutos por dia ou por semana, coloque isso no plano operacional e torne explícito nas metas do gestor. Se essa conversa falhar, o programa também vai falhar, e descobrir isso agora é bem mais barato do que descobrir no quarto mês.

É aqui que o formato da aula vira uma questão operacional, não uma preferência. Cinco minutos cabem numa troca de turno. Duas horas exigem que alguém cubra um posto. A primeira é uma nota de agenda; a segunda é uma decisão de dimensionamento de equipe, e programas construídos sobre a segunda precisam de muito mais comprometimento organizacional para sobreviver.

Desenho do piloto, e para que serve um piloto

A maioria dos parceiros deveria começar com uma trilha e uma turma pequena. Um piloto existe para responder perguntas, então decida quais delas com antecedência.

O tempo realmente existe? A resposta real, tirada de semanas reais, não do plano.

O padrão sobrevive ao contato com a operação? Com frequência, a competência definida acaba deixando de fora algo que o trabalho exige, e é melhor descobrir isso com oito pessoas do que com oitenta.

Onde as pessoas travam? Geralmente existe um módulo específico onde a turma desacelera, e geralmente é corrigível.

A camada específica se sustenta? Pergunte à primeira turma o que faltou quando tentaram aplicar o conteúdo.

Escolha uma turma representativa, não as oito pessoas mais motivadas disponíveis, porque um piloto formado só por entusiastas não diz nada sobre a implantação em larga escala.

Três decisões de escopo que sistematicamente produzem fracasso. Treinar um grupo grande quando só poucas pessoas terão vagas para ocupar, o que produz pessoas qualificadas sem para onde ir e um problema de rotatividade que você mesmo criou. Definir a data de implantação a partir do business case, em vez da curva de competência. E aprovar orçamento sem garantir tempo no nível dos gestores, a causa isolada mais comum de um programa comprado, lançado e discretamente abandonado sem terminar.

As perguntas que eliminam um programa ruim cedo

Faça essas perguntas antes de assinar qualquer coisa. Cada uma delas já encerrou programas que deveriam mesmo ter sido encerrados.

Quais vagas específicas isso preenche, e quantas? Sem resposta significa que o programa é guiado pelo conteúdo.

O que um formado passa a saber fazer que não sabia antes, dito de forma que alguém pudesse testar?

Quem exatamente são os candidatos, nome a nome? Se a lista não existe, o passo dois não foi feito.

O que acontece com eles quando terminam? Uma função, uma faixa salarial, uma progressão. Sem isso, você está treinando pessoas para a vaga de outra empresa.

Qual dos nossos especialistas está contribuindo para a construção do conteúdo, e quantas horas? Se a resposta for nenhum, a camada específica está faltando.

Quantos minutos por semana, e o gestor de linha concordou com eles?

O que nos diria, em oito semanas, que isso não está funcionando? Um programa sem sinal de fracasso precoce vai rodar até o fim do orçamento independentemente de estar dando certo.

O que levar disso

Defina o escopo de trás para frente, a partir de vagas não preenchidas, nomeadas e contadas, não de um catálogo para frente.

Encontre as pessoas a um passo de distância, o que geralmente exige perguntar aos gestores em vez de consultar um sistema.

Escreva o padrão de competência antes de escolher o conteúdo, em termos que alguém possa verificar.

Coloque seus próprios especialistas na construção do conteúdo e orce as horas deles com honestidade, porque a camada específica da empresa é a que decide se os formados conseguem fazer o trabalho.

Garanta o tempo antes do orçamento. E rode um piloto com uma turma representativa, com as perguntas anotadas com antecedência.

Perguntas frequentes
Por onde começar a definir o escopo de um programa de capacitação?

Por vagas nomeadas, com número de pessoas e datas. "Mais capacidade em automação" não tem como ter escopo definido; "quatro engenheiros de controle na linha três até o terceiro trimestre" tem.

Como encontramos candidatos internos?

Pergunte aos gestores de linha, abra o programa para autoindicação e avalie em relação ao padrão de competência. Os registros de RH trazem cargo e formação formal, o que deixa de fora a maior parte do que as pessoas aprenderam por conta própria.

Quanto tempo leva um programa de capacitação?

Uma competência adicional para alguém em função próxima pode levar semanas. Uma mudança real de função leva meses. Uma transição para uma disciplina técnica totalmente nova leva um ano ou mais. Datas de implantação definidas a partir do business case, e não de uma curva de competência, são a falha mais comum.

Vale a pena fazer um piloto primeiro?

Quase sempre, com uma trilha, uma turma representativa em vez dos voluntários mais motivados, e as perguntas que você quer responder anotadas antes de começar.

Como os programas são construídos com parceiros?

Os fundamentos e a camada aplicada já existem em noventa e uma trilhas; a camada específica da empresa é construída com seus próprios especialistas. A Astra Trainer define o escopo a partir das vagas que você nomeia, e você pode ver os dez domínios aqui.

Nomeie as vagas que você precisa preencher
A Astra Trainer constrói programas de treinamento com empresas, governos, universidades e institutos em dez domínios e noventa e uma trilhas. Envie as vagas e voltamos com as trilhas e o cronograma. Comece com um piloto em uma trilha, ou construa um pipeline pelos dez domínios.